Resistência a insulina: Sua relação com a obesidade e diabetes

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A resistência insulínica é uma situação onde há um desequilíbrio entre a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas e o funcionamento deste hormônio no organismo. Para simplificar, em uma pessoa sem resistência a insulina, é como se uma molécula de insulina tivesse a capacidade de colocar uma molécula de glicose dentro da célula, porém, na pessoa com resistência, é necessário duas ou mais moléculas de insulina para realizar o mesmo trabalho. No organismo, a conta não é bem esta, mas a perda de funcionamento de insulina ocorre de forma bem semelhante quando esta resistência aparece.

  • O que causa essa resistência?

Fatores genéticos contribuem muito para o quadro — o que significa que se seus pais ou irmãos mais velhos apresentam resistência à insulina ou diabetes tipo 2 a chance de você também ter essa condição aumenta. Agora os fatores ambientais (hábitos diários) é que realmente fazem a diferença.

A principal causa da resistência insulínica é um excesso alimentar e o ganho de peso. Uma alimentação rica em carboidratos simples e processados — pão branco, doces, arroz tradicional, açúcar, etc — faz com que a glicemia suba rapidamente, já que esses alimentos são digeridos e absorvidos sem muita dificuldade. Com o pico de glicemia, ocorre também um pico de insulina. Quando isso ocorre uma vez ou outra não tem problema, mas essa sobrecarga de insulina constante do organismo torna as células menos sensíveis à insulina e estimula o depósito de gordura. Com o ganho de peso e o aumento do tecido adiposo, há maior necessidade do pâncreas produzir insulina e, com isso, o ciclo da resistência insulínica se inicia. Quanto mais insulina é produzida, mais as células tendem a se proteger do excesso dela, e mais aumenta a resistência insulínica. Em determinado momento o pâncreas não consegue produzir mais insulina, e é neste ponto que os níveis de açúcar no sangue começam a ficar elevados e o diabetes tipo 2 surge.

A obesidade, por exemplo, faz com que os adipócitos produzam grande quantidade de substâncias inflamatórias que vão aumentar o risco de aterosclerose, elevar o colesterol e a pressão, e com isso aumentar a resistência periférica à insulina.

O sedentarismo também é outro fator importante. Se o corpo não realiza exercícios, as células musculares ficam mais preguiçosas e não sabem como captar grande quantidade de glicose do sangue já que nunca precisaram fazer isso.

Outras condições como gestação, síndrome metabólica, hipertensão arterial, colesterol elevado, síndrome do ovário policístico, esteato-hepatite não alcoólica (esteatose hepática, mais conhecida como gordura no fígado) também podem levar à resistência insulínica ou serem consequência dela.

  • Sintomas de Resistência à insulina

Geralmente a resistência insulínica é assintomática, e por isso as pessoas podem passar anos desenvolvendo esse quadro sem saber.

Uma alteração que pode indicar a resistência à insulina, no entanto, é o surgimento de acantose nigricante na base do pescoço e em regiões de dobra (axilas), o que torna a pele desses locais mais escura e espessa.

  • Buscando ajuda médica

A resistência insulínica é geralmente identificada nos exames laboratoriais de rotina, e também nos casos em que há suspeita clínica. Nos pacientes que estão com sobrepeso e obesidade, ou que apresentam alterações de colesterol, pressão alta e nos casos de gestantes com alterações de glicemia, a resistência insulínica deve ser sempre investigada.

Os exames de sangue são os principais aliados no diagnóstico da resistência insulínica. A dosagem de glicose de jejum, insulina de jejum e o cálculo do marcador chamado de HOMA-IR fazem com que o diagnóstico seja relativamente simples. Um outro teste bastante usado é o teste oral de tolerância à glicose, que vai nos mostrar a resposta do pâncreas em produzir insulina a partir da sobrecarga com glicose.

Muitas vezes os pacientes com resistência insulínica podem apresentar esteatose hepática –vista no exame de ultrassom de abdômen, por exemplo, e também aumento no nível dos triglicérides no sangue.

  • Tratamento 

Uma vez feito o diagnóstico, é preciso iniciar o tratamento prioritariamente com mudanças no estilo de vida.

A primeira delas é a troca dos alimentos de alto índice glicêmico por alimentos de baixo índice glicêmico. Ou seja trocar alimentos que fornecem açúcar rapidamente para a corrente sanguínea, como os pães brancos, batatas e açúcar refinado, por alimentos que a fornecem mais lentamente, como os alimentos integrais, vegetais e não industrializados.

Além da troca de alimentos, deve-se evitar o ganho de peso ou, se necessário, buscar manter o peso dentro do índice de massa corporal (IMC) adequado, que é entre 18,5 e 25 kg/m2. Mais afundo é indispensável o controle do % de gordura no corpo.

A prática de atividades físicas também é essencial para o controle da resistência insulínica. O tecido muscular é grande utilizador de glicose circulante no sangue, e quando fazemos exercícios os músculos absorvem a glicose muitas vezes, até sem precisar de insulina. Quando o músculo fica em repouso, ele precisa de uma quantidade menor de glicose e passa a depender da insulina para absorvê-la. Com menos atividade física, gera-se um ciclo vicioso que vai fazer com que a célula muscular precise cada vez mais de insulina.

Em alguns casos, há possibilidade do uso de medicamentos para melhorar o funcionamento da glicose no organismo e também para o controle do peso. A avaliação médica será fundamental para definir qual o tratamento mais adequado caso a caso.

  • Prevenção

A prevenção da resistência insulínica se dá, principalmente, através da adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada (dieta balanceada). Se você tem tendência à resistência à insulina ou já apresenta o quadro dá para contrabalancear isso com exercícios. A prática de exercícios físicos regularmente é a solução para quase todos os problemas!

À medida que você se exercita seu corpo — tanto de exercícios aeróbicos quanto resistidos (Ex: musculação) — vai queimando calorias, ajudando a perder peso e ”ensinando” o músculo como usar melhor a glicose. Ou seja, ajuda no controle da obesidade e reduz o quadro de sedentarismo.

Sem exercícios, as células musculares ficam ainda mais preguiçosas e você ganha peso dependendo da sua dieta, o que piora ainda mais o estado inflamatório.

E aí a resistência à insulina fica cada vez maior e fica mais difícil reverter a situação toda, o que leva à síndrome metabólica.

  • O que é a sindrome metabólica?

A síndrome metabólica é uma combinação de fatores — aumento de colesterol ruim, aumento de triglicérides, aumento da circunferência abdominal, aumento da pressão arterial e diabetes — que resultam em um risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Por isso, a obesidade — ou a resistência à insulina — são consideradas a ponta do iceberg. Um fator único que indica que muito mais coisas podem estar erradas no organismo.

 

Resumidamente, pratique atividade física regular e leve uma vida mais regrada, com hábitos alimentares saudáveis. Isso não implica em deixar de aproveitar as coisas boas da vida, como um vinho, uma boa pizza ou qualquer coisa do gênero.

Ninguém engordar de um dia para o outro, ou vira atleta de um dia para o outro. Seu estado de saúde atual, é reflexo de suas atitudes diárias ao longo de uma vida toda, não apenas de um dia. Então seja feliz com moderação.


Texto Adaptado: Andressa Heimbecher, endocrinologista titular na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – CRM: 123579.

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